A sugestão desta semana é:
O Papalagui
Erich Scheurmann
(Antígona)

O Papalagui é o nome que a tribo de Tiávea atribui ao branco, ao homem europeu. Este livro resulta de uma recolha por Erich Scheurmann dos discursos de Tuiavii, o chefe desta tribo das ilhas de Samoa, sobre o homem europeu e os seus estranhos costumes. Resultam de notas tiradas por este indígena durante a sua visita a diversos países da Europa. Segundo o próprio Erich Scheurman "através dos seus olhos descobrimos a nossa própria imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos."
Uma verdadeira e profunda metáfora do mundo ocidental. Faz-nos pensar naquilo que somos, as coisas que valorizamos e o que esquecemos. Leva-nos a uma profunda reflexão sobre o eu, dando-nos uma outra perspectiva do nosso dia-a-dia, da nossa existência. Uma intensa crítica à civilização europeia, que pretende alertar os povos indígenas para se afastarem desta cultura dita moderna. Tem pensamentos sublimes e, em determinados momentos, lembra mesmo o estilo do Padre António Vieira a pregar aos peixes, recorrendo a diversas imagens para transmitir a sua mensagem. Ao longo destas reflexões, o chefe de Tiávea vai abordar diversas temáticas desde os hábitos ocidentais que ele considera ridículos, como o vestuário ou a residência em prédios ("arcas de pedra"), a invenção do tempo e a eterna preocupação com o mesmo, até ao culto do egocentrismo e a falta de Deus nos povos europeus. Simplesmente magnífico.
"Se apenas quisermos dizer «talofa» (saudação de Samoa) a um amigo de outra ilha, não precisamos de ir a sua casa ou de correr dentro daquilo. Sopramos a mensagem em fios metálicos que se estendem, como lianas, de uma a outra ilha de pedra, e a mensagem chega ao sítio designado mais depressa do que pássaro em pleno voo."